Pesquisa avalia viabilidade do cultivo de canola no Cerrado mineiro

Variedade híbrida do grão possibilita produção em regiões com menor disponibilidade de água e clima tropical.

plantio de canola do triangulo mineiro

O cultivo de canola está chamando a atenção dos agricultores em Minas Gerais. A aposta nessa alternativa começou depois que eles conheceram uma variedade híbrida do grão, que precisa de pouca água para se desenvolver, adaptada à região do Cerrado mineiro.

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Para atender ao crescimento na demanda de consumo, uma pesquisa realizada pela Embrapa Trigo está avaliando a viabilidade de cultivo do grão em regiões tropicais do país, como uma segunda safra na rotação com milho e soja. A iniciativa é inédita, já que o cultivo passa a ser feito em baixas latitudes, entre seis e 13 graus, em clima tropical. A luminosidade é benéfica para o cultivo da canola, mas as altas temperaturas não. Este é o maior desafio: identificar os locais mais indicados ao cultivo.

– O projeto ainda está avaliando a adaptação dessas variedades em Minas Gerais, a altitude acima de 600 metros está ajudando muito o desenvolvimento dessa planta, e a canola também ajuda a manter o controle de outras pragas e doenças das culturas que já foram plantadas – ensina a pesquisadora da Embrapa Trigo Edina Moresco.

Em Uberaba (MG) uma área de 10 hectares, que antes tinha sido ocupada com o plantio de milho, agora tem canola. É um espaço de experimentação que o produtor Antonius Van Ass está destinando para o cultivo do grão. Ele começou a investir na cultura este ano, a área foi plantada em março e a colheita deve ser feita no fim deste mês. A expectativa é de 1200 a 1500 quilos por hectare. A variedade é a teróla 10a40, que serve para a alimentação humana.

Plantar canola em Minas Gerais se tornou viável para o produtor por dois motivos. Primeiro pela crescente demanda dos mercados de óleos vegetais; segundo, porque o grão serve como alternativa de inverno para fazer a rotação de culturas.

Para o produtor, a canola é uma nova oportunidade de diversificação na propriedade, uma opção para a segunda safra. Mas ainda é preciso conhecer melhor a cultura e avaliar o potencial de rendimento do produto, o que vai ser verificado depois da colheita.

– Apesar da falta da falta de chuva, ela está se adaptando bem aqui. Nós estamos testando ainda essa cultura, ela serve bem para a rotação de culturas, mas vamos esperar a primeira colheita para ver a produtividade primeiro e depois a rentabilidade – contou Van Ass.

A canola é uma planta de inverno, típica das regiões mais frias. No Brasil, o cultivo está concentrado na região Sul. Mas com o uso de sementes adaptadas à região do Cerrado, onde a disponibilidade de água é menor, a alternativa está começando a ganhar espaço. A cultura permite menor gasto com defensivos e adubação, também é mais resistente à seca e aos veranicos comuns na região, condições que favorecem o desenvolvimento da canola.

– É um teste e precisamos conhecer melhor a canola, para continuar a investir. De começo, vamos ter mais ou menos 90 centavos o quilo, é um valor bom para começar – calcula a engenheira agrônoma Samara Van Ass.

Foto: BurningWell / Divulgação
"Iniciativa é inédita, já que o cultivo passa a ser feito em baixas latitudes, entre seis e 13 graus, em clima tropical."

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