1º Simposio Latino Americano de Canola

RESUMO

A canola é amplamente distribuída nas áreas agrícolas do sul do Brasil que apresenta
características climáticas ideais para a cultura. Mas seu alto valor agregado levou a expansão
das áreas de cultivo para regiões de clima subtropical, que inclui regiões como o cerrado
mineiro, sendo assim escassas as informações sobre a cultura nessas condições. Para tanto
foi realizado um diagnóstico com o objetivo de localizar e identificar as áreas semeadas, as
previsões de áreas a serem colhidas, os aspectos em relação ao desempenho da cultura e as
perspectivas para o cultivo da canola na Mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, no
estado de Minas Gerais. Foram contatados 22 produtores rurais de diferentes municípios dessa
região, sendo possível aplicar o questionário diagnóstico em 11 propriedades. O diagnóstico
realizado com os produtores de canola da Mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba
permitiu obter informações importantes sobre o cultivo da canola nessa região. A possibilidade
de utilização de canola em uma segunda safra e o seu preço de comercialização foram os
motivos mais relevantes que lavaram ao seu cultivo. Problemas relacionados com a semeadura
como oferta de sementes de variedades adaptadas, sementes padronizadas e de alta
qualidade e dificuldades relacionadas a operação de semeadura foram os principais motivos de
redução da área a ser colhida. Em geral os entrevistados se mostraram satisfeitos e pretendem
cultivar novamente a canola, porém questionam a falta de informações e de profissionais
tecnicamente qualificados.

INTRODUÇÃO

A canola (Brassica napus L.) é uma oleaginosa pertencente à família Brassicaceae e ao gênero
Brassica, é a terceira oleaginosa mais importante no agronegócio mundial, ficando atrás do dendê e da soja. Utilizada em vários segmentos do mercado, a canola ganha cada vez mais espaço no segmento alimentício, impulsionada tanto pela qualidade nutricional quanto pelos benefícios comprovados à saúde. O consumo do óleo da canola recebeu um novo impulso após a agência pública dos EUA “Food And Drug Administration” conceder ao óleo de canola, no ano de 1985, o status de alimento seguro (TOMM et al., 2010).Na safra 2012/2013, a quantidade produzida de canola no mundo foi estimada em 59,26 milhões de toneladas, representando 12,7% da produção mundial de grãos de oleaginosas. Os maiores produtores mundiais de canola, na safra 2012/2013, foram a União Europeia (31,72%), o Canadá (22,46%), a China, (21,26%), e a Índia (11,30%) (USDA, 2014). No Brasil, em 2012, segundo os dados da CONAB (2013),a área colhida de canola foi de 43,8 mil hectares, sendo 28,2 mil hectares (64,4%) localizados no Rio Grande do Sul, 12,9 mil hectares (29,5%) no Paraná, 2,3 mil hectares (5,2%) no Mato Grosso do Sul e 400 hectares (0,9%) em Santa
Catarina.

Existe grande interesse no cultivo da canola na região Sudeste do Brasil devido a sua
tolerância à seca e a possibilidade de utilizá-la em rotação com as culturas da soja, milho e
feijão (TOMM, 2007). Desse modo a canola passa a ser uma excelente alternativa para ser
cultivada na 2ª safra. Devido à constatação do cultivo da canola nesta safra (2013/2014), no
cerrado do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, tornou-se importante diagnosticar o
desempenho da canola nessa mesorregião.

O objetivo desse diagnóstico foi localizar e identificar as áreas semeadas, as previsões de
áreas a serem colhidas, os aspectos em relação ao desempenho da cultura e perspectivas
para o cultivo da canola na Mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, no estado de
Minas Gerais.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Canola (GEPCA) do Instituto
de Ciências Agrárias (ICIAG) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Foi elaborado o
questionário diagnóstico composto por 10 perguntas que abrangeram aspectos da atividade,
sendo: 1) o que o motivou a cultivar canola, 2) qual a área cultivada com canola, 3) qual a
previsão da área a ser colhida, 4) qual a origem das sementes, 5) qual o material genético
utilizado, 6) qual a sua percepção com relação a assessoria técnica, 7) pretende cultivar canola
novamente, 8) qual o destino da produção, 9) tem disposição para receber visitas do
GEPCA/ICIAG/UFU para troca de informações e, 10) dados para contato posterior (e-mail,
telefones fixo e celular).

A área geográfica de aplicação do questionário abrangeu municípios da Mesorregião do
Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba do estado de Minas Gerais entre os paralelos 18ºS e 20ºS,
na qual foram identificadas 22 propriedades rurais com cultivo de canola. As propriedades
rurais e suas coordenadas geográficas estão apresentadas na tabela 1. A partir dessas
informações foram realizadas entrevistas, por telefone, sendo obtidas respostas de 11
produtores de canola, o que correspondeu a uma amostragem da ordem de 50%. A análise foi
feita através da compilação dos dados fornecendo dados em porcentagem ou interpretação
das respostas obtidas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Considerando os produtores entrevistados foi constatada que a área cultivada com a cultura da
canola é de 1213 hectares e, com base na venda de sementes para os produtores não
amostrados, estimou-se que a área total cultivada nessa mesorregião pode ter alcançado 2000
hectares, na 2ª safra do ano agrícola 2013/2014

A distribuição geográfica das áreas de cultivo da canola na Mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba é apresentada na Figura 1. O município de Uberlândia, com uma altitude média de 844 m e 18º 55’ S, foi o que apresentou o maior número de propriedades com cultivo da cultura. Nesse contexto destaca-se também o potencial do município de Serra do Salitre, situado mais ao sul e com altitude média de 1246 m, nesse levantamento contando com 2 áreas cultivadas. Em Serra do Salitre os produtores entrevistados apresentaram-se bastante satisfeitos com o desempenho da cultura e tem intenção de trabalhar novamente com a mesma em safras futuras, mas alegaram deficiências quanto a assessoria (Figura 2A), por falta de pessoal com conhecimento técnico na
cultura em sua região.

A canola apresenta-se como opção de cultivo na 2ª safra para 37% dos produtores entrevistados (Figura 2A), principalmente pela possibilidade de entrar em sistemas de rotação com as culturas principais como soja e milho, tradicionais nesta região, e para 31% deles, os valores de comercialização do grão foi o principal motivo para a escolha da cultura. Do total de entrevistados cerca de 80% fecharam contrato de venda antecipadamente. Apenas um produtor, dentre os entrevistados, modificou a destinação da colheita para biocombustível devido a alta infestação com nabo forrageiro na área, o que impediu a comercialização paraprodução de óleo para consumo humano.

canola-sementes-produtor-brasil-uberlandia

canola-brasil

Da área total semeada, entre os entrevistados, existe uma expectativa de colheita de 965 ha. Entre as justificativas apresentadas para redução da área a ser colhida (Figura 3B), 18% foi devido a pouca chuva ocorrida na época de semeadura, pois nessa região a janela de semeadura é fator preponderante para o sucesso dos cultivos em 2ª safra; 37% foi associado a qualidade da semente e 27% em relação à plantabilidade. Para a maioria dos entrevistados esse foi o primeiro contato com a cultura, fator, que aliado a reduzida oferta de técnicos com experiência na cultura dificultaram o arranque inicial das áreas semeadas (Figura 2C). Quando questionados se voltariam a cultivar canola, 50% disseram que existe a possibilidade de continuar na cultura e 42% que vão plantar canola novamente. Apesar da conhecida aptidão da cultura para áreas de latitudes superiores a 250S, a região do cerrado mineira apresenta características climáticas que permitem o desenvolvimento da cultura.

CONCLUSÕES

O diagnóstico realizado com os produtores de canola da Mesorregião do Triângulo Mineiro e
Alto Paranaíba permitiu obter informações importantes sobre o cultivo da canola nessa região.
A possibilidade de utilização de canola em uma segunda safra e o seu preço de comercialização foram os motivos mais relevantes que lavaram ao seu cultivo.


Problemas relacionados com a semeadura como oferta de sementes de variedades adaptadas,
sementes padronizadas e de alta qualidade e dificuldades relacionadas a operação de
semeadura foram os principais motivos de redução da área a ser colhida.

Em geral os entrevistados se mostraram satisfeitos e pretendem cultivar novamente a canola,
porém questionam a falta de informações e de profissionais tecnicamente qualificados.

REFERÊNCIAS

CONAB. Acompanhamento da safra brasileira: grãos. 4º levantamento,
janeiro/2013. Brasília: Conab, 2013. 29p. Disponível em:
<http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/13_01_09_17_44_20_boletim_gr
aos_janeiro_2013.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2013.
TOMM, G. O. Cultivo de canola. Embrapa Trigo, nov. 2007. (Sistemas de Produção,
3). Disponível em:
<http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Canola/CultivodeCanola/in
dex.htm>. Acesso em: 18 jul. 2014.TOMM, G. O. et al. Panorama atual e indicações para aumento de eficiência da
produção de canola no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2010, 86 p.
USDA. Oilseed: World Markets and Trade. Foreign Agricultural Service Circular FOP
01–13, Jan. 2013. 33p. Disponível em:
<http://usda01.library.cornell.edu/usda/current/oilseedtrade/oilseed-trade-01-11-
2013.pdf.> Acesso em: 18 jan. 2014.

Saiba mais em: http://www.cnpt.embrapa.br/slac/cd/apresentacao.htm

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